15.2.07

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem destrói o seu amor próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajecto, quem não muda as marcas no supermercado, não arrisca vestir uma cor nova, não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projecto antes de iniciá-lo, não perguntando sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.


Neruda

E assim começou a viagem...

3 comments:

dreamjunkie said...

Pareceu-me um bom princípio! Não deixes que seja também o final...Continua! Remar é preciso!
Cumprimentos da blogosfera
felizcomlagrimas.blogspot.com

Carreira said...

Palavras sábias! A monotonia mata!

bigstroke said...

concordo quase a 100%! o único pormenor, é que devido a defice de raiz cultural, na nossa sociedade dá-se muito valor "a camisolas"; para me fazer entender melhor passo a explicar os consumidores apesar de pagarem e bem algumas das vezes aquilo que consomem guiam-se muito por clubite ou por familiarização com algo!